Os americanos com renda mais baixa estão cada vez mais enfrentando dificuldades com caixa, já que o aumento nos preços dos combustíveis e a inflação mais alta apertam os orçamentos domésticos, segundo chamadas recentes de resultados corporativos e dados econômicos. A taxa de poupança pessoal caiu para 3,6% em março—o menor nível desde os dias de “gastos de vingança” de 2022—sinalizando que os americanos estão recorrendo à poupança para manter os gastos. A prévia do indicador de confiança do consumidor da University of Michigan, divulgada na sexta-feira, atingiu o menor patamar desde 1952, com o recorde anterior de mínima ocorrendo em abril.
Vários líderes corporativos reconheceram publicamente o aperto sobre clientes de menor renda. O CEO da Kraft Heinz, Steve Cahillane, disse à Bloomberg na semana passada: “Eles literalmente estão ficando sem dinheiro no fim do mês”, e apontou que “estamos vendo fluxos de caixa negativos nas faixas de menor renda, onde eles estão entrando na poupança”.
O CEO do McDonald’s, Christopher Kempczinski, ecoou preocupações semelhantes, destacando como o aumento nos preços dos combustíveis atinge de forma desproporcional os consumidores de baixa renda. “As pressões ali vão continuar”, disse ele. O CEO da Whirlpool, Marc Bitzer, informou que a indústria de eletrodomésticos está registrando uma queda no mesmo nível da crise financeira.
Uma pesquisa do Federal Reserve Bank of New York mostra padrões de gastos bem diferentes conforme a renda. As famílias que ganham menos de US$ 40.000 reduziram as compras de combustíveis em 7% em março, à medida que os preços dispararam, e muitos recorreram ao transporte público ou ao carpooling. Porém, como ir para o trabalho e a escola continua sendo essencial, os de menor renda ainda gastaram 12% a mais em combustíveis no total. As famílias de maior renda, por outro lado, reduziram as compras de combustíveis apenas “modestamente”.
Essa divisão por renda reflete o que ocorreu em 2022, quando os preços subiram após a invasão da Ucrânia pela Rússia—mas agora a diferença entre os de alta e baixa renda está maior, segundo o New York Fed.
Embora as famílias de menor renda enfrentem pressões claras, alguns dados sugerem nuances. Pessoas que gastam menos de US$ 1.000 por mês agora estão mantendo mais poupança em suas contas de cheques, “como parecem estar se preparando para que preços mais altos permaneçam por um tempo”, segundo Heather Long, economista-chefe do Navy Federal Credit Union.
Os indicadores mais amplos da economia seguem resilientes: os números mais recentes de empregos mostraram um mercado de trabalho forte, o crescimento do PIB foi sólido e o gasto geral do consumidor segue sustentado. No entanto, essa força está concentrada entre os de maior renda. Tanto no McDonald’s quanto no Walmart, compradores de maior renda estão impulsionando a maior parte dos ganhos de vendas.
O relatório de resultados do Walmart, que sai mais tarde neste mês, deve trazer mais detalhes. Em sua teleconferência de investidores de fevereiro, o CEO John Furner disse que “as carteiras estão apertadas” para famílias com renda abaixo de US$ 50.000, com a maior parte dos ganhos de vendas da empresa vindo de famílias de renda mais alta—e isso foi antes dos aumentos recentes nos preços dos combustíveis.
A divergência entre grupos de renda reflete o que economistas chamam de economia em “K”: os de alta renda continuam impulsionando o crescimento geral e os números positivos em manchetes, enquanto as famílias de menor renda enfrentam condições financeiras cada vez mais sombrias.