O que ficou claro na Demo Day das 199 empresas do YC. Honestamente, eu não imaginava que o "sentido comum" do empreendedorismo, que achava que já conhecia, pudesse mudar tanto assim.



A IA já não é mais uma única categoria. 60% das startups usam IA nativamente, e mais 26% estão compatíveis com IA. Ou seja, apenas 14% das empresas não utilizam IA. O que importa não é "vocês usam IA?", mas sim "como vocês realizaram algo que não era possível com métodos tradicionais usando IA?"

Outro ponto, em outras palavras, é que "a era do copiloto acabou". A tendência atual é a "substituição completa" por agentes de IA. Automatizar profissões com salário de 80 mil dólares por ano por uma fração desse valor. Não são apenas ferramentas de suporte, mas uma verdadeira ameaça ao emprego. Essa diferença é surpreendentemente grande.

O B2B foi esmagador. 87% são voltadas para empresas, apenas 7% para consumidores finais. No entanto, entre as voltadas ao consumidor, há empresas que na verdade são voltadas para o mercado corporativo disfarçadas. Com a era em que agentes de IA substituem trabalhadores do conhecimento, o B2B é o campo mais estratégico.

O que mais chamou atenção foi o ponto em comum entre empresas de crescimento rápido. 40% dos fundadores dizem que "estão resolvendo problemas que eles próprios enfrentam". Um consultor de risco da McKinsey fundou uma startup e, em três semanas, atingiu uma receita recorrente anual de 700 mil dólares. Um ex-gestor de uma empresa de marketing atingiu 33 mil dólares de receita recorrente mensal em quatro semanas. A combinação de conhecimento de domínio e espírito empreendedor se torna a arma mais poderosa.

A ressurreição do hardware também foi impressionante. 18% envolvem robôs, drones e wearables. Desde robôs de armazém, drones autônomos até planos para hotéis na Lua. O ciclo de dados gerado por produtos físicos cria uma vantagem competitiva que não pode ser obtida apenas com software.

O vazio no mercado consumidor pode, na verdade, ser um sinal de oportunidade. Existem vários setores como educação, redes sociais, saúde mental e tecnologia governamental onde há quase zero de empresas de IA. Quanto menor o investimento nesses setores, historicamente, maior o retorno potencial.

Por fim, a lição mais importante. Empresas bem-sucedidas não começam "criando o produto e depois vendendo", mas sim "entendendo quem já consegue alcançar e o que eles precisam urgentemente". Cartões de visita se tornam canais de distribuição. A rede do YC vira cliente. A rede de antigos empregadores vira o primeiro mercado.

O que empreendedores devem evitar daqui para frente são infraestruturas de agentes não diferenciadas, serviços de IA sem vantagem de dados, e wrappers de fluxo de trabalho genéricos. Provedores de modelos base podem incorporar as mesmas funcionalidades em seis meses. Empresas sem defesas não conseguirão sustentar sua receita por muito tempo, mesmo que sejam rápidas na monetização.

A coisa que mais me impressionou foi a apresentação do hotel na Lua. Uma carta de intenção de investimento de 500 milhões de dólares, convite da Casa Branca. O ambiente da sala mudou em um instante. Por um lado, achei que era loucura, por outro, senti que poderia ser possível. Essa diferença talvez seja a essência do perfil do empreendedor.
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