Recentemente, tenho acompanhado as mudanças na política de criptomoedas na China e descobri um fenômeno bastante interessante.



Falando nisso, a China foi anteriormente uma líder absoluta no campo das criptomoedas. Após o início do interesse pelo Bitcoin em 2013, surgiram rapidamente várias empresas de mineração e fabricantes de hardware no país, e entre 2017 e 2020, a China chegou a representar de 60% a 75% do poder de hashing do Bitcoin. Na mesma época, também nasceram várias exchanges que posteriormente se tornaram gigantes globais, e essas plataformas ainda ocupam posições importantes no mercado internacional.

Mas após 2021, a situação mudou drasticamente. Primeiro, foi proibido que instituições financeiras lidassem com criptomoedas, depois veio a proibição da mineração, e por fim, em setembro, veio o golpe mais duro — a proibição direta de todas as negociações de criptomoedas. Esse golpe levou muitos mineradores e exchanges a se transferirem para países como Cazaquistão e Rússia, e a posição de liderança da China no setor de criptomoedas foi desfeita.

O que é interessante é que, apesar da proibição severa na superfície, o governo chinês pode ainda possuir uma quantidade considerável de ativos em criptomoedas. A principal fonte são os ativos confiscados do esquema Ponzi PlusToken, que totalizaram cerca de 2,2 bilhões de dólares. Analistas on-chain acreditam que esses ativos podem já ter sido transferidos e liquidados, mas o governo ainda não confirmou oficialmente.

A situação atual ficou ainda mais interessante. No ano passado, os Estados Unidos aprovaram a Lei de Stablecoins, consolidando ainda mais a posição do dólar no sistema de pagamentos digitais global. A China, ao ver essa movimentação, começou a intensificar a promoção do yuan digital, buscando reduzir sua dependência do dólar. Atualmente, o yuan representa apenas 2,9% dos pagamentos globais, uma diferença ainda grande.

O papel mais digno de atenção aqui é o de Hong Kong. Em agosto de 2025, Hong Kong lançou a Lei de Stablecoins, estabelecendo um sistema completo de licenciamento. Analistas acreditam que o governo central na verdade está usando Hong Kong como um campo de testes controlado, para observar os riscos e oportunidades de criptomoedas e ativos digitais. Enquanto na China continental mantém uma proibição rigorosa de criptomoedas, em Hong Kong permite-se inovação sob supervisão regulatória — esse modelo de dupla via é bastante engenhoso.

Portanto, a situação atual é: a China continental mantém uma tolerância zero às criptomoedas, mas já começou a valorizar o papel delas no sistema financeiro global. Hong Kong está emergindo como um centro de inovação em ativos digitais na grande região da China. Se esse sistema influenciará as políticas do continente no futuro, dependerá dos resultados dos testes em Hong Kong. Para quem acompanha esse setor, o desenvolvimento de Hong Kong merece atenção contínua.
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